| Versão | 1.0 |
|---|---|
| Data da minuta | 18 de setembro de 2026 |
| Vigência | [DATA DE PUBLICAÇÃO] |
Documento preparado para validação jurídica final antes da publicação no aplicativo e no site.
1. Objetivo
Estabelecer princípios, responsabilidades, controles e processos para que o Poseidon trate dados pessoais e desenvolva, opere e mantenha sua Plataforma de modo seguro, transparente e aderente à LGPD, ao Marco Civil da Internet, às normas da ANPD e a boas práticas de segurança, incluindo OWASP Top 10:2025 e OWASP Mobile Top 10:2024.
2. Escopo
Esta Política se aplica a sócios, administradores, empregados, desenvolvedores, prestadores, fornecedores, parceiros e sistemas que tratem dados sob responsabilidade do Poseidon, em ambientes de desenvolvimento, teste, homologação, produção, suporte, analytics, backoffice, marketing e continuidade.
3. Princípios obrigatórios
| Princípio | Aplicação no Poseidon |
|---|---|
| Finalidade e adequação | cada tratamento deve ter objetivo legítimo, específico, informado e compatível com o contexto |
| Necessidade | coletar e disponibilizar somente dados mínimos para cada função e etapa |
| Livre acesso e transparência | fornecer políticas claras, canais de direitos, histórico de versões e evidências de atendimento |
| Qualidade | permitir atualização e correção; validar dados críticos |
| Segurança e prevenção | reduzir riscos desde a concepção, com controles técnicos, administrativos e monitoramento |
| Não discriminação | proibir tratamento abusivo ou discriminatório e testar regras automatizadas |
| Responsabilização | manter inventário, decisões, avaliações, contratos, registros e indicadores que demonstrem conformidade |
| Privacidade por padrão | usar configurações menos invasivas, visibilidade mínima e compartilhamento progressivo |
4. Governança e responsabilidades
| Papel | Responsabilidades mínimas |
|---|---|
| Administração | aprovar risco, recursos, política e exceções críticas; acompanhar indicadores e incidentes relevantes |
| Encarregado/DPO | canal com titulares e ANPD; orientar; acompanhar conformidade; participar de avaliações de impacto |
| Segurança/Tecnologia | arquitetura, identidade, vulnerabilidades, logs, backups, resposta a incidentes e continuidade |
| Produto | definir finalidade, necessidade, transparência e critérios de matching/moderação desde o discovery |
| Jurídico/Compliance | bases legais, contratos, direitos, ordens, retenção, publicidade e requisitos consumeristas |
| Dados/Analytics | minimização, qualidade, pseudonimização, acesso controlado e prevenção de reidentificação |
| Atendimento/Moderação | verificação de identidade, sigilo, registro de solicitações, escalonamento e acesso mínimo |
| Fornecedores | cumprir instruções, segurança contratual, suboperadores, auditoria e comunicação imediata de incidentes |
| Todos os usuários internos | confidencialidade, treinamento, reporte de suspeitas e uso aceitável |
A pessoa jurídica, e não o empregado individualmente, será definida como controlador ou operador em cada operação, conforme quem decide finalidade e meios essenciais. Relações com controladores conjuntos ou independentes devem ser documentadas.
5. Inventário, bases legais e registros
- manter inventário de dados e registro das operações de tratamento, com sistema, titular, dado, fonte, finalidade, base legal, acesso, compartilhamento, transferência, retenção e descarte;
- revisar bases legais antes do lançamento e quando houver mudança de finalidade;
- registrar avaliação de legítimo interesse quando essa base for usada, considerando propósito, necessidade, expectativa e balanceamento de direitos;
- manter evidência de consentimento específico, livre, informado e destacável quando exigido, com revogação simples;
- proibir dados pessoais reais em desenvolvimento e teste, salvo exceção formal com minimização e proteção equivalente;
- realizar Relatório de Impacto à Proteção de Dados (RIPD) em tratamentos de alto risco, grande escala, dados sensíveis, monitoramento sistemático, geolocalização precisa ou decisão automatizada relevante.
6. Classificação e manuseio da informação
| Classe | Exemplos | Requisitos |
|---|---|---|
| Pública | site, políticas publicadas, materiais aprovados | integridade, versionamento e aprovação |
| Interna | roadmaps, métricas agregadas, procedimentos comuns | acesso autenticado e compartilhamento por necessidade |
| Confidencial | cadastros, solicitações, mensagens, contratos, logs vinculáveis | RBAC, criptografia, registro de acesso, exportação controlada |
| Restrita | documentos, tokens, segredos, credenciais, chaves, dados sensíveis, investigação | acesso excepcional, MFA, cofre de segredos, dupla validação e monitoramento reforçado |
7. Controles de identidade e acesso
- identidade individual, proibição de contas compartilhadas e revisão periódica de acessos;
- princípio do menor privilégio, segregação de funções e acesso just-in-time quando viável;
- MFA obrigatório para administradores, nuvem, banco, repositórios, CI/CD e backoffice privilegiado;
- revogação imediata no desligamento ou mudança de função e recertificação trimestral de privilégios críticos;
- sessões e tokens com expiração adequada, rotação, revogação, proteção contra reutilização e armazenamento seguro no mobile;
- credenciais nunca armazenadas em texto claro; senhas protegidas por algoritmo forte e parametrizado, como BCrypt ou Argon2id.
8. Desenvolvimento seguro e privacidade por design
1. Discovery: identificar titulares, dados, finalidade, base legal, risco, retenção e requisito de transparência.
2. Design: elaborar threat model, fluxos de confiança, controles de abuso, minimização e critérios de autorização.
3. Build: revisão por pares, padrões seguros, validação de entrada, consultas parametrizadas, gestão de segredos e dependências fixadas.
4. Pipeline: SAST, SCA/SBOM, análise de segredos, IaC e containers; impedir promoção diante de vulnerabilidade crítica não aceita.
5. Teste: casos de autorização, autenticação, fraude, privacidade, APIs, upload, rate limiting e mobile; DAST e teste de invasão proporcional.
6. Release: aprovação, plano de rollback, migração segura, evidências e atualização de políticas quando necessário.
7. Operação: telemetria, alertas, patches, gestão de vulnerabilidades, backup, restauração e lições aprendidas.
9. Controles alinhados ao OWASP Top 10:2025
| Risco | Controles mínimos |
|---|---|
| A01 - Broken Access Control | autorização no servidor; RBAC/ABAC; ownership por recurso; testes IDOR; negação por padrão; segregação de backoffice |
| A02 - Security Misconfiguration | hardening; configuração por ambiente; headers; CORS restrito; debug desativado; baseline e varredura IaC |
| A03 - Software Supply Chain Failures | SCA, SBOM, versões fixadas, repositórios confiáveis, assinatura/proveniência, atualização e plano de resposta |
| A04 - Cryptographic Failures | TLS 1.2+; criptografia em repouso conforme risco; KMS; rotação; hash forte; proibição de segredo em código/log |
| A05 - Injection | validação por allowlist, consultas parametrizadas/JPA seguro, encoding de saída, sanitização, limites em uploads e comandos |
| A06 - Insecure Design | threat modeling, casos de abuso, limites transacionais, antifraude, privacy by design e revisão arquitetural |
| A07 - Authentication Failures | MFA privilegiado, rate limit, proteção a credential stuffing, recuperação segura, sessão curta e revogável |
| A08 - Software or Data Integrity Failures | CI/CD protegido, revisão de artefatos, assinatura, controle de migrações, validação de webhooks e serialização segura |
| A09 - Security Logging and Alerting Failures | logs imutáveis e minimizados, correlação, alertas, trilhas administrativas, relógio sincronizado e runbooks |
| A10 - Mishandling of Exceptional Conditions | fail-safe, timeouts, circuit breaker, transações, tratamento uniforme de erro, rollback e testes de resiliência |
O alinhamento ao OWASP é uma referência de risco, não uma certificação. APIs e aplicativo móvel também devem seguir OWASP ASVS/MASVS conforme criticidade, com armazenamento seguro, proteção de rede, autenticação e controle de plataforma.
10. Proteção de APIs, banco e arquivos
- autenticação e autorização em todos os endpoints não públicos, inclusive validação de ownership de CPF, usuário, solicitação, orçamento e mídia;
- limites de taxa e volume por usuário, IP, dispositivo e operação sensível; proteção contra enumeração;
- CORS com origens explicitamente autorizadas e sem combinação insegura de origem ampla com credenciais;
- uploads com lista de tipos, tamanho, inspeção, nome aleatório, armazenamento não executável e controle de acesso no download;
- segregação entre aplicação e banco, conexões criptografadas, contas de serviço com menor privilégio e backups testados;
- dados sensíveis e tokens excluídos de logs; mascaramento de CPF, e-mail, telefone e endereço em suporte e observabilidade;
- segredos em cofre gerenciado, com rotação; proibição de chaves em repositórios, imagens, tickets e mensagens.
11. Regra de não identificação e prevenção ao desvio
A arquitetura e a moderação devem apoiar a regra dos Termos de Uso que proíbe Identificadores Diretos em campos não autorizados. Controles podem incluir validação contextual, detecção de telefone/e-mail/link/QR Code, OCR em imagens, fila de revisão, mascaramento, trilha de decisões e mecanismo de recurso.
Filtros não devem coletar mais dados do que o necessário nem tomar decisão irreversível sem proporcionalidade. Conteúdo suspeito poderá ser temporariamente ocultado; sanções severas devem considerar evidência, gravidade, reincidência, risco e contestação, salvo urgência de segurança ou fraude.
12. Fornecedores e compartilhamento
- realizar due diligence proporcional sobre segurança, privacidade, localização, suboperadores e histórico;
- celebrar contrato com finalidade, instruções, confidencialidade, controles, retenção, eliminação, auditoria, subcontratação e retorno de dados;
- exigir comunicação de incidente sem demora injustificada e em prazo interno que permita cumprir os 3 dias úteis regulatórios;
- avaliar mecanismo de transferência internacional e manter documentação correspondente;
- revogar acessos e confirmar devolução ou eliminação ao término, ressalvada retenção legal.
13. Direitos dos titulares
1. Receber o pedido em canal rastreável e gerar protocolo.
2. Verificar identidade de forma proporcional e evitar solicitar cópia excessiva de documento.
3. Localizar dados em sistemas e fornecedores, preservar direitos de terceiros e segredos legítimos.
4. Responder confirmação/acesso simplificado imediatamente quando possível e declaração completa em até 15 dias.
5. Executar correção, bloqueio, eliminação, oposição, revogação, portabilidade ou revisão quando cabível.
6. Registrar decisão, fundamento, prazo e comunicação aos agentes com quem houve compartilhamento, quando exigido.
14. Retenção, descarte e anonimização
Cada ativo deve possuir regra de retenção aprovada e tecnicamente implementável. O descarte deve alcançar réplicas e fornecedores no ciclo definido; backups expiram por rotação e não devem ser restaurados para uso comum após pedido de exclusão. Exceções de legal hold devem ser documentadas, com acesso bloqueado para finalidades incompatíveis.
Anonimização deve considerar risco de reidentificação por combinação com outras bases. Pseudonimização reduz risco, mas o dado continua pessoal quando a reidentificação for possível.
15. Gestão de vulnerabilidades e testes
| Severidade | Tratamento padrão |
|---|---|
| Crítica | conter imediatamente; corrigir ou mitigar antes de release e, em produção, em até 72 horas, salvo plano formal mais restritivo |
| Alta | corrigir preferencialmente em até 15 dias |
| Média | corrigir em até 60 dias conforme risco e exposição |
| Baixa | corrigir em até 120 dias ou aceitar formalmente com justificativa |
Prazos podem ser reduzidos por exploração ativa, dado exposto, alcance ou requisito contratual. Exceções exigem proprietário, justificativa, controle compensatório, prazo e aprovação. Teste de invasão independente deve ocorrer antes de lançamento relevante e, depois, ao menos anualmente ou após mudança material.
16. Logs, monitoramento e auditoria
- registrar autenticação, alteração de privilégio, acesso administrativo, exportação, mudança de dados críticos, moderação e eventos antifraude;
- evitar conteúdo integral de mensagem, senha, token, documento e dado sensível em logs;
- proteger logs contra alteração, restringir acesso, definir retenção e alertar eventos de alto risco;
- manter registros de acesso à aplicação por 6 meses, sob sigilo e em ambiente controlado, salvo extensão legalmente válida;
- auditar periodicamente acessos privilegiados, regras de autorização, fornecedores e aderência ao descarte.
17. Resposta a incidentes com dados pessoais
1. Detectar e registrar: abrir incidente, preservar evidências, classificar severidade e acionar responsáveis.
2. Conter: revogar credenciais, isolar recurso, bloquear abuso e impedir ampliação do dano.
3. Investigar: confirmar ocorrência, período, vetor, dados, titulares, escala e controles existentes.
4. Avaliar risco: considerar natureza, volume, sensibilidade, vulnerabilidade dos titulares, criptografia e impacto material, moral ou reputacional.
5. Comunicar: operador informa controlador sem demora; controlador comunica ANPD e titulares em até 3 dias úteis quando houver risco ou dano relevante, ressalvada regra específica.
6. Erradicar e recuperar: corrigir causa, validar integridade, restaurar com segurança e monitorar recorrência.
7. Aprender: realizar análise de causa, plano corretivo, atualização de controles e relatório executivo.
O registro do incidente deve ser mantido por no mínimo 5 anos, incluindo data, natureza, dados e titulares afetados, avaliação de risco, medidas, comunicações e razões para eventual não comunicação. Comunicações devem preservar segredo comercial sem omitir informação necessária ao titular.
18. Continuidade e backups
- definir RTO e RPO por serviço, dependência e criticidade;
- manter backups criptografados, segregados e protegidos contra alteração ou ransomware;
- testar restauração ao menos trimestralmente para ativos críticos e registrar evidências;
- documentar modo degradado, rollback e comunicação em indisponibilidade;
- garantir que recuperação não reative contas excluídas ou dados além da retenção sem reconciliação posterior.
19. Treinamento e confidencialidade
Todos os colaboradores e prestadores com acesso devem aceitar dever de confidencialidade e realizar treinamento na admissão e, no mínimo, anualmente. Equipes técnicas receberão conteúdo específico de codificação segura, OWASP, gestão de segredos, phishing, resposta a incidente e proteção de dados por design.
20. Indicadores e revisão
| Indicador | Meta inicial sugerida |
|---|---|
| Cobertura de MFA privilegiado | 100% |
| Acessos críticos recertificados | 100% por trimestre |
| Vulnerabilidades críticas fora do SLA | 0 |
| Backups críticos restaurados com sucesso | 100% por trimestre |
| Solicitações LGPD no prazo | 100% |
| Fornecedores críticos avaliados | 100% antes da contratação e anualmente |
| Cobertura de treinamento | 100% anual |
| Incidentes com lição aprendida concluída | 100% dos incidentes altos/críticos |
A Política deve ser revisada ao menos anualmente e após incidente relevante, alteração legal, mudança material de arquitetura, novo segmento, tratamento de alto risco ou mudança do modelo de monetização.
21. Exceções, violações e sanções internas
Exceções devem ser documentadas com escopo, risco, controle compensatório, proprietário, prazo e aprovação competente. Violações podem gerar revogação de acesso, medida disciplinar, rescisão contratual, reparação e comunicação a autoridades, assegurado procedimento compatível com a gravidade e a legislação.
22. Aprovação e controle de versão
| Campo | Preenchimento |
|---|---|
| Responsável pela Política | [●] |
| Encarregado/DPO | [●] |
| Aprovador executivo | [●] |
| Data de aprovação | [●] |
| Próxima revisão | [●] |
| Repositório oficial | [●] |